domingo, 31 de agosto de 2008

Queria ser raiz,
Bracejar na fecunda terra
De amor como sempre faz
O açaizeiro às segundas-feiras.
A cortina indolente de lágrimas
Celestes me poria nos braços,
Enquanto a gente cinza
Enxugaria as vestes!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

São todos iguais...
Todos os rostos, todos os beijos
Que me marcam os cabelos!
Não há mais

Expiração na minha pele,
Teus sonhos no meu travesseiro...
A chuva da sesta varreu nele
Cada hora, cada cheiro

Que se permeia na memória.
Ficam os rios lodosos, turvos, impuros
Dejetos da efêmera fertilidade.

Com fervor desejo a glória
De inundar dor e ciúme o orgulho,
Filho bastardo da tempestade.


Ou da saudade.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Aconteceu.
O sinal mudou, e eu não pedi!

Enquanto eu me distraía
Lavando pecados,
Invadiste minha propriedade
Sem bater, nem pedir licença...
Encontraste minha alma nua
E desprezaste planos, requisitos
De um sonho construído.

Passada a surpresa,
A cruel realidade
Deixa a luz acesa.
Tímida, cubro-me de escrúpulos
E digo:
Sabes, agora sou tua.

De dia, a irmã.
De noite, o incesto.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Dá-me um minuto,
Uma meia certeza do que
Em êxtase exclamaste aqui!
Eu guardo isso no teu hálito,

Na tua caneta sem tinta
Que rejeitou meus versos...
A cada instante, disperso,
É como se previsse extinta

A nossa comunhão, nossa partilha
De momentos, que cedo ou tarde
Seria uma lembrança querida...

É esse maldito tempo que combate
A permanência do teu corpo na vida,
O teu resquício de alma que me valha.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ela não quer a gentileza
Das tuas mãos cavalheiras. Cadê
a resposta que prometeste
Sem saber?
Onde estão os sacrifícios que ela espera
Em angústia?

Ninguém se permite amar sem
Uma esperança exigente...

Fazemos um teste -
Neste texto:

Estás obrigado. És devedor.
Amante inadimplente
Sem cláusula de rescisão!
Vais pagar em juízo
(ou sem ele, de preferência).