quarta-feira, 30 de julho de 2008

A sobriedade me dá a certeza de que não sou o que devia (ou gostaria de) ser.

Eu poderia plantar facetas, cultivar aspectos de uma personalidade única. Ler, ver, saber mais. Atingir a singularidade tranquila. Mas eu sei que nunca vou abranger o conhecimento infinito, e isso seria aceitável se o comum fosse suficiente.

Assim como muitos, eu almejo valores do senso comum - instituições notoriamente falidas mas mantidas pela fé e pelo hábito. Mas quem não tiver o mínimo de autoconsciência - ou seria autocrítica? - nunca aceitaria ser mais um boi no pasto, um código de barras, um produto de fabricação em série. A existência transitória que não deixa marcas não será relevante ou contributiva em nenhum aspecto.

A sensação de desprezo em aceitar ser a média, ser razoável, ser comum é tão patente que me fere todos os dias. E nessa angústia, nesse dilema entre o comum e o único, entre ser como todos e ser única, eu não sou NADA. Eu não existo.

Abstraio a idéia do ser, a situo em um canto escuro de mim. Bastar, é isso. Não sou menor nem maior, porque EU NÃO SOU. O meu sentido está em desprezar as conquistas e enaltecer os desafios. Por isso o que eu tenho, e o que me tornei NÃO É NADA.

Por outro lado, o que almejo e o que virei a ser é um paradigma. Acredito ser por isso extremamente necessário me ocupar pelo máximo de tempo possível. Assim não há espaço no meu dia para refletir sobre a minha insignificância e o meu fracasso em ser pessoa. Não fui capaz de sê-lo. Talvez um espírito em potencial, mas sempre em potencial. Nunca completo.

Não consigo construir personalidades para preencher meu vazio existencial, e muito menos aceito um modelo pré-concebido - no máximo, o empresto ocasionalmente.

Acabo sendo eternamente um zero, por desejar tão intensamente o infinito. Zero não é número.

Eu não gostaria de ser dirigida pela estupidez da mecânica, mas é ela que me mantém sã. Eu não amo nem odeio a vida, porque dela não faço parte. O que tenho são arremedos de momentos repetidos e continuados, como uma fita que acaba e é novamente reproduzida. Sempre a mesma sucessão de acontecimentos vazios, mas infinitos. Impessoais, mas necessários à ilusão de existência.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Eu vejo o teu nome nas placas das ruas,
Teu rosto nas lentes que te observam ávidas, como que espectadora passiva...
Não escuto há tanto os teus ruídos, teus humores!

Acompanho de longe teu crescimento e perco teus primeiros passos...

Pra quê contar as horas que faltam pra te esquecer,
Se isso só resgata a dor da ausência?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Eu quero enfrentar as contradições
Não com palavras, mas pensamentos
que se redijam nos olhos...
Me olha de frente, medo!
Não aguento mais a sombra,
à espreita, à espera da
Fragilidade do presente.
O que me presenteia é o
que me dizem, o que me
contam os que viveram.

Os que viveram?
Os que vivem até
Hoje nas transformações,
nas revoluções, nas guerras, em mim...
Em mim, e não no mundo!
Que pena.