quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Sou toda feita de matéria oca,
Pele e pêlos, a superfície;
Quem procura amor, encontra uma boca
Como se pela retina um túmulo visse.

Há quem o perceba? Ora, tolice!
Como se, vulnerável a qualquer melindre,
Não planejasse uma fuga, consumisse
O sangue do meu próprio ventre.

Encerra-me em ti
Como se carregasse um ímã,
Pois não mais quero regar o outono!

Reservo um passado diáfano,
Que relega ao presente a promessa vã:
Uma vez se chora, outra se ri.