Eu me lembro de casa
Quando o chão tem cheiro de chuva
E a claridade sádica é de tal maneira invasora
Que fere os meus cachorros e a minha poltrona.
Eu me lembro de casa quando o outro
Me sufoca tanto que nem em meus próprios pensamentos
Estou só.
Quando a sombra da alteridade
Constantemente recobre as sensações que adornam o silêncio,
Regozijando-me em uma guerrilha renitente
Favorecida pelo tempo e pela educação.
Contudo, se pudesse escolher o cerne da identidade
Entre essa terra de gris, lâmina e caixas motoras
E a minha casa,
Seriam as palavras que vertem em vômito,
Frêmito de alma abandonada
Em multidão, abandonada por pai, mãe e Deus,
E que tem apenas as folhas e o sangue
Para se afogar em meio à tempestade.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
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