Um dia, quando a escuridão houver encontrado a medida de si,
Não será mais vista com medo ou hesitação.
A eterna noite escura que nos abraça
É quase-manto, quase-útero, quase-colo.
Não há que ter medo da custosa visibilidade...
Não ver. Aguçar sentidos outros que não se deixam
lograr pela aparência fugaz das coisas.
Não ver. Enxergar com a alma,
Por palavras, melodias, odores e sensações;
Uma pertença integral ao seio do mundo.
Não há que ter medo do escuro...
A luz é apenas ilusão de verdade, ilusão de razão.
Onde está a verdade? A racionalidade consciente?
No ser humano? Não! Cerramos nossos animais selvagens
Em uma jaula de hipocrisia,
Muito bem guardada pelas convenções sociais.
Mas sempre há uma hora em que, exaustos da clausura,
As bestas se rebelam, e os primeiros - não primitivos -
eus vêm à tona, rompendo a crosta de civilidade
que os esconde, sem temer julgamentos ou reprimendas.
Noite é liberdade.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
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