O pedaço da pele que eu te dei
É um grão de areia que se perde
Quando na palma da mão,
Como vaga de encontro à praia:
Por maior a necessidade,
A urgência do afastamento,
Mais como um ímã eu retorno
Calorosa e suplicante, absorvida
No teu peso oceano.
Mais nem uma palavra vale,
Evidência do engano.
Deixo o choque gozar
A comunhão que, cálida,
Oculta a verdade irmã.
Cada lágrima de certeza
É uma gota de vinho extraída
Intermitente das minhas veias.
Os sinais que se revelam
Favorecem o costume,
Mas não reparam tua ausência ébria.
Dionisíaca.
A escuridão solitária que presencia
Os sons e os momentos reconstrói o êxtase,
Saudoso como o porto
No crepúsculo da ressaca.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
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